quarta-feira, 12 de agosto de 2020

aproximar

gostaria de dançar que em amo

aproximar

aproximar

aproximar


quando eu

 Ficar a espreita para ouvir, casual posição face a face com um pessoa, um diferente, um distinto, um segundo. Ficar mais perto, ser iminente. Fazer algo que se torne conhecido, expressar através de ações e gestos, impulso pelo prazer. Possuir vontade de tornar mais amplo, aumentar os limites. Chegar tão perto ao ponto de tocar, gravar, fazer inscrição sobre um outro.

domingo, 28 de junho de 2020

sexta-feira, 19 de junho de 2020

FOGO

performance
linguagem corporal
contração de glúteos
lambidas no peitinho
é tão gostoso
é tão gostoso

cabeça
tronco
coluna vertebral
pernas
que fodem
que doem
que pedem
mais

performance
trabalho corporal
contração de glúteos
é tão gostoso
cabeça encontra cabeça
choque
arrepio
fogo

e arde
e queima
tudo
todos

que tentem
nos apagar
eu corro
e risco
mais fogo
e tudo é brasa
tudo queima
e é tão gostoso
é tão gostoso

e aí
faz chover
e apaga
num grito
e solta
ai é tão gostoso
me apaga
me apago
e é silêncio
e a gente respira
e fica ali
é quase morte
e que morra
quem não queima

eu quero é fogo

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Desejo de virar sacanagem

Mauro tem 30 motivos para achar que causa boa impressão com seus movimentos muito precisos. Escolhe sempre os melhores ângulos, lado esquerdo, olhar desconfiado, cara fechada. Dentro dele existem muitas histórias que tem necessidade de dançar. Palavras surgem dos seus gestos. Gestos surgem de suas palavras. Mauro tem muitos motivos para dançar e por isso dança. Dança para contar quem é, o que pensa e o que deseja. Tem desejado muito. Escreve por desejo. Dança por desejo. Deseja e espera ser desejado. Desesperadamente. Mauro tem 30 anos e tem dançado 23. Mauro tem 30 anos e tem escrito 10. Ele dança o desejo de escrever. Ele escreve o desejo de dançar. O ano é 2020 e Mauro tem pensando na sua necessidade de aparecer. Como não parecer débil e desesperado? Tem escrito para aparecer. Tem dançado para aparecer. Tem gozado para aparecer. Mauro tem um corpo que dança o desejo. O desejo nele tem movimentos muito precisos. Mas Mauro também sabe rebolar. Arte. Encontros. Rua. Tudo necessita lhe apresentar como possíveis fontes de obtenção de prazer. Olho. Boca. Língua. Pescoço. Atrás da orelha, isso. Mais pra baixo. Peito. Bico do Peito. Isso. Desce, desce, desce. Quadril, sim, essa parte. Movimento voluntários ou involuntários? Mauro não tem controle. Quadril. Essa parte todinha ele gosta. Mauro tem escrito sobre isso. Dançado sobre isso. Espera desesperadamente. Tem criado novos desejos. Criado movimentos na rua, no encontro, no palco, dentro e fora, no papel, na tela do computador e do celular. Mauro tem deixado aflorar. Mauro tem tido o desejo que todos se abriguem em seu corpo, aquela moleza que vem. Mauro tem deitado no chão a espera que tudo isso um dia vire uma grande sacanagem. Mauro tem dado pistas a si mesmo. Mauro tem finalmente 30 anos. Mauro finalmente performa seus gritos urgentes. Esse corpo desejado. Esse corpo desejante.


palavreados

suavizo meus movimentos
e lentamente
coloco minhas mãos
sobre as coxas dele
deslizo
aliso

quente
o verão
do sul
do cu
do Brasil

sinto o suor
descendo pelas
minhas costas

a cara do homem
que eu encaro
é gostosa de ver

quente suas coxas
pêlos
sobre sua pele
que eu aliso
suavemente

tem feito muito calor
ele concorda
e acorda
e me deixar avançar

sinto cheiro
o dele
e me coloco
em posição
de ataque

tenho
passado
os dias
sozinho
ele disse

minhas mãos
delicadamente
sobem
por suas coxas
sinto
a pele
o pêlo
e entro
e sinto
que gostoso
eu falo

tem feito
calor
e eu
só penso
em putaria

terça-feira, 16 de junho de 2020

gestos

com seus gestos delicados
masturbo meus pensamentos
com tuas palavras gostosas

poesia compartilhada
fluídos amigos

participo de sarau
perigozo

telas

tenho vivido
enquadrado
em primeiríssimos planos
seguindo um roteiro
preso entre ruídos
sons robóticos
imagens planas
de um plano falido de país


meu vivido

sirenes
Caetano Veloso
Nine Out Of Ten

minha cara pixelada
várias mentiras

vivo muito
vivo
vivo
vivo
o horror
filmado
documentado
editado
I'm alive

nove em cada dez fotos
todas elas me fazem chorar

jogo

vou fingir costume
e ser aquele outro

que beija
que fode
que arde

a dois
a três
a quatro

o que pintar

quinta-feira, sei lá

carência cafona
poesia falida

doentinho

doente de tesão
me desconheço
a cada novo desejo

caminhos

segurei firme tua mão
mais um passo
me encaixo em teu corpo

a fome
e a vontade de comer

segurei tua mão
para não ultrapassar
meu imaginário

experiências

vou ali
catar mais um
pra perto
pra mais perto
pra bem perto

vou ali
catar experiências


entre

o tempo entre
duas palavras

o tempo entre
duas ações

o tempo entre
duas pessoas

no vazio
entre

gruda

quando encosta
o arrepio que dá

quando encosta

o teu
no meu

o meu
no teu

cuidado

tá pra nascer em mim
um grito

cuidado

ruína

corpos em ruínas

quem dança
o corpo
ou o olhar?





pedacinhos

as pequenas curvas do meu corpo
pedacinhos sensoriais

suor entre meus pedaços
pêlos entre meus pedaços

dor e prazer
entre meus pedaços

curvinhas
safadas

ali

eu tava ali respirando
fazendo de contas na cabeça
calculando a menor distância possível
entre nossos corpos nervosos
eu tava ali


isso

me deixa ser
amante
companheiro

me deixa ser
amigo
sem compromisso

traz de volta
de volta
tua mão

isso
assim



sussurros

vale ouvir
cada silêncio meu

sentir o toque
morder os lábios
precipitar a escuta

sussurros

me ter

o corpo
desejou ter

lamber
até ter

até
me ter

quando

quando olho
quando boca
quando cheiro
quando eu inteiro

quando páro
quando sou
quando nunca mais

quando gozo

vida adentro
mundo afora
como Belchior
e no fundo
lá no fundo

você
um
amontoado
de
coisa
nenhuma

desejos

desejos pendurados
na parede do quarto
sou quem devo ser

amanhã penduro palavras
na parede da sala
sei quem posso ser

datas
números
anotações

penduro
desejos

penduro




desejos