quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

duas horas

são sempre duas horas quando olho no relógio

o ponteiro dos segundos me dão arrepios

o relógio, o pulso, o ambiente, visualmente distintos
elementos comuns e cotidianos
deve ser por isso que são sempre duas horas

ao redor, vejo pessoas
gordas, magras, alegres
e comprando

a mente não deixa escapar a imagem
retomo:
o relógio, o pulso, o ambiente, visualmente distintos
elementos comuns e cotidianos
e ainda as duas horas

estou aflito
penso que o melhor a fazer é deixar para outra hora

não há outra hora
o tempo passou
a criança chorou
a mãe gritou

o relógio, o pulso, o ambiente visualmente distintos
marcam: duas horas


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

enquanto o sono não vem

enquanto o sono não vem
no silêncio da noite sem vida
imagino você
a escuridão me acompanha
e com ela toda
a sua canalhice

imagino seu corpo sobre o meu
o suor
as palavras
os suspiros

enquanto o sono não vem
a noite me acompanha
e com ela as sujeiras
de um pensamento noturno
prazer
em te pensar


coragem

amar a coragem dos que fazem
sobretudo amar aqueles que fazem
amar sobretudo aqueles que tem coragem

mesmo quando não há
coragem para fazer
tem que buscar
coragem para fazer

amar a coragem dos que fazem
tem que arriscar também
ter coragem para fazer

coragem 
ou você tem
ou você
coragem.





quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

perdão

peço perdão aos que vencem pelo cansaço
minha vitória chega por vezes através do céu

é isso:
aceito a vitória do outro
e tomo como minha

peço perdão
se me aproprio de suas vitórias

elas vem
e eu aceito
sem dó
nem receio

peço perdão se a tua glória
é minha também

e se um dia eu também vencer pelo cansaço
aceita
ela é tua

a vitória é um ponto final
e a sequência desse texto
precisa de reticências

por isso
peço perdão

meu ponto
é
final
.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

merda

eis que chega-se a conclusão
que de fato
cagaram no mundo

uma merda do tamanho do sol
que agora permeia por todos os lugares na terra

tem merda na casa do vizinho
tem merda da capital ao interior
tem merda na boca do homem que grita da janela do carro
tem merda dentro da televisão
tem merda no aparelho de som
tem até gente sufocada pela merda

e a merda é tanta
que fica impossível fugir

tá todo mundo cagado de uma forma ou de outra

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

sexualmente ativo

dois homens se aproximam
um deles é o assassino
fico paralisado
a beleza me atordoa

(o fato de um deles ter matado alguém me excita)

pergunto se estão bem
melhor agora
respondem

(silêncio, estou prestes a me entregar)

tenho vontade de me atirar em seus braços
penso
que dia quente hoje
falo

(silêncio, estou prestes a convidá-los para irem até minha casa, estou excitado)

me perguntam se estou só
digo que sim
talvez seja a deixa
imagino

(lembro que estou um ano sem me encontrar com alguém)

chego em casa
abro a porta
abro a camisa
me abro por inteiro
pra vida
pra noite
e pra a morte

(imagino que no clímax sexual eles me matem, fico ainda mais excitado)

sinto a faca entrando pelas minhas costas
gozo como nunca tinha gozado antes
a cena acontece em câmera-lenta

morto e satisfeito sexualmente
posso descansar enfim

(levanto da cama com a faca ainda apunhalada em minhas costas, escovo os dentes, deito de bruços)



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

surpreendido

me surpreende o pedreiro
me surpreende a dona de casa
me surpreende a frentista
me surpreende o atendente do caixa do supermercado
todos esses me surpreendem

me surpreende pensar que eu
um mero coisa nenhuma
chegue a conclusão que
um pedreiro me surpreenda

um atendente de caixa de supermercado
muito me surpreende
o que come?
o que pensa?
o que faz nas horas vagas?

(penso em me arriscar a ser um deles, uma ideia romântica e televisiva me passa pela cabeça)

me surpreende
chegar em frente à uma construção
e ver alguém empilhando tijolos
isso muito me surpreende

me surpreende eu
um mero coisa nenhuma
me surpreender com uma pedreiro
que empilha tijolos

me surpreende
todos esses fantásticos
coisas nenhumas

me surpreendem
de tal forma
que eu
um outro coisa nenhuma
haja como se fosse alguma coisa
um nobre
coisa nenhuma
surpreendido
pela ação










sexta-feira, 29 de novembro de 2013

vocês

será que ninguém entende
eu não sou um de vocês
eu sou aquele
que vocês rejeitam

sou eu 
na minha insignificância
perto de vocês
criaturas com telencéfalo
altamente desenvolvido
donos de verdades petrificadas
estéticas sombreadas em pó
embriagados de felicidade e esperança

eu
não
sou
um
de
vocês



de uma forma ou de outra

de uma forma ou de outra
não tem como voltar atrás
o que foi feito, tá feito
o que foi dito, foi dito

palavras, meu bem
são orações profanas
uma vez ditas
sempre ditas
vão para algum lugar
e lá ficam

one way or another
tá feito
tá dito
tá fudido

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

eterno eu

crio sobre mim
uma capa protetora
contra possíveis danos
à minha integridade física (e moral)

uma mistura de pensamentos em foco
roupas baratas
e uma pequena preocupação
com os detalhes gestuais
(sem excessos)

crio sobre mim
um eu
sobre o meu corpo
uma capa protetora

(nenhuma ação que possa parecer infantil)

misturo ações programadas
falas pré-determinadas
e preocupação com minha
integridade física (e moral)

sou eu
um eterno meu
minha obra perfeita


terça-feira, 26 de novembro de 2013

direito

a mente viaja por entre os fatos cotidianos
discussões, discursos, ordens
tento me ocupar com outras questões
alimentação
higiene
cachorro
casa


a mente viaja por entre fatos contemporâneos
legalização da maconha
aborto
casamento gay
política

fuga
me ocupo à procura de mim
me dou ao direito de ser
egoísta

recomendo

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

me importa tu

me importa tu
com seus mil defeitos
me importam
seus mil defeitos

me importa
essa maneira de fazer
tirar leite de pedra

(ah, os seus olhinhos)

me importa
teu riso
teu choro
tuas lágrimas
o teu pensamento
a tua reflexão
a tua inteligência
me importa a tua inteligência
me importa tu
e essas tuas mil maneiras
de me fazer
importar 
com o que tu é
só tu
me importa tu

domingo, 24 de novembro de 2013

não por nada


não por nada

mas eu queria
que esses que falam muito
(e fazem pouco)
que todos esses
fossem
tomar
naquele belo
lugar

não por nada
acho até interessante





sexta-feira, 22 de novembro de 2013

consumo

os encontros me consomem
as pessoas me consomem
o tempo me consome
a arte me consome
muita coisa me consome
e eu,
consumo o quê?
- incensos
- pão integral
- café solúvel


tem ainda a terra
que um dia há de me consumir

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

alimento

degustá-lo com o meu melhor toque
dissecá-lo com minha mais alta precisão
satisfazê-lo com meu melhor prazer

sou alimento

sirva-se
















quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ao fundo

pretendo um dia estar na superfície, viver por lá
vejo daqui muitos homens felizes que vivem na superfície
os chamados "de bem com a vida"

(pausa dramática)

eles riem (o tempo todo)
comem (o tempo todo)
trabalham (o tempo todo)
fazem de tudo (o tempo todo)

(são adestrados, imagino)

acontece que estou submerso
a muito tempo (e o tempo todo)
mergulhei
não sei se por convenção
curiosidade
ou por um impulso qualquer
estou submerso
e fico daqui
admirando os da superfície
(o tempo todo)








terça-feira, 19 de novembro de 2013

são tantos

são tantos os discursos
os pedidos
os reclames
são tantos!

são tantas as causas
os debates
as filosofias

são tantas as imagens difusas
os preços
as cores
são tantas!

ligo música ambiente, deito na minha cama. levanto, preciso tomar uma xícara de café (cinco gotas de adoçante). são tantas as advertências! (dizem que adoçante dá câncer). ligo o computador: 

são tantos os egos
as fotos na praia
são tantas as felicidades!
SE VOCÊ AMA JESUS COMPARTILHE ESSA IMAGEM

desligo o computador
absoluto o silêncio
imagino os muitos discursos que terei que enfrentar no próximo dia.







segunda-feira, 18 de novembro de 2013

eu estou indo para fora

eu realmente quero ir para fora
mandem dizer a eles que quero ir para fora
me espanta tantas absurdos que acontecem por aqui
eu quero sair daqui, eu quero ir para fora
as minhas peças não se encaixam mais
me deixem procurar novas peças lá fora
aqui dentro estou preso
avisem a eles que estou indo para fora
de alguma maneira os avisem
mandem e-mails
disparem mensagens para suas listas de contato
compartilhem
diga a eles que estou indo para fora
e diga que se quiserem me encontrar
estarei bem longe daqui
estou indo para fora
eu realmente estou indo para fora
estou indo
e não volto
fora
fora
eu estou indo para fora



bloco de papel

minhas anotações 
faço em bloco de papel

bloco tilibra (papel premium), 100 folhas, 148mm x 148mm

tem de tudo
orçamentos
projetos
sonhos

nele deposito
minha esperança

nele
num bloco de papel

caderneta, capa e contracapa: polipropileno, encarte: cartão duplex, folhas internas papel offset 75 g/m²



pasta, vaquinha

quantas vacas ainda precisarão existir para que o mundo possa pastar livremente?
quantas vacas ainda precisarão se juntar com outras vacas para que juntas possam pastar?
quantas vacas ainda se juntarão com outros tipos de animais (cavalos, burros, veados etc.) para que juntos possam abrir caminho no pasto para outros tipos de animais?
talvez nunca terei a precisa resposta
mas sei que com vacas não se pode mexer
por isso deixo-as lá, observo de longe
vacas são no fim
seres patéticos


domingo, 17 de novembro de 2013

diz que sim

o nosso amor é céu
diz que sim pro inevitável
o nosso amor sempre diz que sim
e de tanto dizer
nosso amor a partir de agora
nem diz mais
ele só sente
calor
arrepios
calafrios

nosso amor é segurança

sábado, 16 de novembro de 2013

programação



Os homens têm pensado cada vez mais 
igual
Uns falam como loucos
Outros falam como intelectuais
Outros falam de televisão, esporte e lazer

Variedades humanas

ME ME ME

Tá tudo tão igual
O sol tá infernal
O som é tão banal
Todos vivem como tal
Um mundo artificial
Me ama
Me deseja
Me Me Me

terça-feira, 5 de março de 2013

BANQUETE

a tua fome de amor
me lavou a alma
e diante de tanta paz
me coloquei à tua disposição
um banquete de mim